Pedro Novaes

O autor é engenheiro agrônomo e advogado

Mais um carnaval

domingo, 26 de maio de 2019 por Pedro Novaes

O carnaval, a mais popular das festas, continua atraindo multidões e envolvendo fortunas, públicas e privadas.
Longe de ser uma unanimidade, os festejos de Momo atraem a atenção de simpatizantes e críticos, que realçam as virtudes e defeitos da folia. Economistas lamentam os seguidos feriados, que paralisam produções e prestações de serviços.
Comerciantes comemoram a alta demanda de bebidas, carnes e adereços, enquanto o setor de alimentação aplaude o maior apetite da ocasião. Alguns setores, contudo, sentem a diminuição da poupança popular, enquanto hospedarias ficam lotadas.
Religiosos, que em sua maioria condenam a libertinagem e beberagem, cuidam de promover retiros espirituais, alguns deles verdadeiros carnavais, regados a comedimentos e formalismos. Alguns promovem rituais para purificar as almas envolvidas na folia, tão logo cessada a festa.
Profissionais da segurança encetam atitudes capazes de minorar a insegurança, natural das aglomerações regadas a ingestões etílicas e licenciosidades. Bandidos comemoram o aumento da disponibilidade de celulares e vítimas desprevenidas.
Serviços de saúde esmeram plantões, e planejam ações para surtos anormais de doenças transmissíveis. O IBGE antevê o aumento dos nascimentos, no final do ano.
Artistas ganham maior visibilidade, e componentes de bandas e batuqueiros conseguem contagiar até desafetos dos festejos. Machões vestem roupas e trejeitos femininos, alguns por brincadeira e outros por pendor sufocado.
A folia já não depende dos salões, ganhando, cada vez mais, ruas e praças. Fica suspensa, por pelo menos quatro dias, a legislação que cuida das contravenções, mormente as voltadas à defesa da privacidade e sossego. Perde temporariamente a eficácia as normas que criminalizam o fornecimento de bebidas a menores.
Blocos tentam subsídios públicos, em sua maioria desnecessários, e recursos até de fontes estranhas e informais fazem brilhar escolas de samba. Fantasias refletem humores políticos e partidários, com indisfarçado ativismo de ocasião.
Deus não é folião, e o diabo não reina no carnaval. Reina, soberano, o conjunto de civilidades e incivilidades dos foliões.
Há festejos saudáveis e inofensivos, e há festejos conturbados e perigosos. Tudo depende do ambiente escolhido.