Pedro Novaes

O autor é engenheiro agrônomo e advogado

Leitura

sábado, 20 de outubro de 2018 por Pedro Novaes

Somos um povo inculto.
As notícias chegam, telegráficas, pelo rádio e TV. Revistas e grandes jornais são pouco lidos.
Manchetes são mais lidas que o conteúdo, e costumam aglomerar multidões defronte as bancas. Comprar e ler livros é um hábito de poucos.
A leitura escolar sobrevive por ser compulsória, quase limitada a obras didáticas, ou enunciadas nos vestibulares. Livros foram substituídos por apostilas, e já são raros os autores isolados.
A internet tem sido o maior elo entre o brasileiro e a formação cultural, mas os acessos buscam, em regra, redes sociais, que alternam boas escritas a línguas estranhas, fatos e boatos, com farta desinformação. Bem utilizada, a internet pode ser tão útil quanto um bom livro impresso.
Rádio, TV e internet substituíram os jornais, no quesito notícia. Antes de abrir o jornal, o cidadão já foi informado do fato, o que tem levado as publicações a comentários, análises e descrições de contextos.
Esporte, fofocas políticas e sociais, horóscopo e manchetes escandalosas disputam a preferência dos leitores, sempre ansiosos pelo caderno de negócios, sejam de veículos, animais, imóveis e materiais usados, além da oferta de empregos e serviços. O caderno de negócios costuma ser o alvo predileto dos gatunos de bancas.
A leitura atenta desenvolve habilidades, como a capacidade de abstração, memorização e entendimento de enunciados. A leitura ensina a língua, tão judiada pelo rádio e internet.
Com pouca leitura, consagramos a oralidade como meio de transmissão da cultura e informação. A oralidade pode, em determinados contextos, gerar guetos e alimentar vícios, aí incluídos os preconceitos e superficialidades.
Na verdade, a escrita costuma ser bem mais cuidadosa e elaborada que a fala, e daí mais acreditada. Pouquíssimos autores escrevem “menas”, termo recentemente utilizado até por um senador da república, em sua tribuna.
Povos mais cultos e informados constroem ambientes amadurecidos e politicamente mais estáveis, sendo pouco receptivos aos aventureiros de sempre. Costumam ser mais respeitadores e solidários.
No contexto mundial, figuramos em péssima posição, no quesito leitura. Outros povos ensinam a leitura como hábito e exemplo familiar.
Nossa triste condição pode ser avaliada pelos baixos índices de audiência de noticiosos, entrevistas e reportagens especiais, e altíssimos índices dos programas de fofocas e intimidades de famosos. Em nosso meio, são poucas e pouco frequentadas as bibliotecas. Vamos mal!

 
 
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