Pedro Novaes

O autor é engenheiro agrônomo e advogado

Animais que abandonam

sexta-feira, 14 de dezembro de 2018 por Pedro Novaes

Milhões de cães e gatos vivem abandonados, no Brasil.
Sob a constante ameaça de doenças, fome e violência, revolvem lixos, atrapalham o trânsito, atacam ou são atacados e, nas horas vagas, procriam.
Muitos já tiveram nome e endereço, alegraram famílias, encantaram crianças e viveram felizes, até que a maldade humana interrompeu a bela história, com um frio e insensível abandono. Os abandonos acontecem por despesas não previstas com os necessários cuidados, pela perda da beleza natural aos filhotes, por uma mordida imprevista ou até mesmo por mudança ou viagem.
Abandonar animais ou maltratá-los é crime. O maltrato, vez ou outra, acaba punido, mas o abandono costuma ser alegado como fuga.
Animais de rua constituem tema de competência municipal, não raro merecedor de parcas contribuições a voluntários e meteóricas atuações dos Centros de Controle de Zoonoses. Castrações, a mais abrangente das medidas ao alcance dos prefeitos, não constituem providências rotineiras e continuadas.
A maioria dos animais aprisionados pelos órgãos públicos, por apresentarem risco à segurança ou saúde pública, acaba sacrificada. Alegam os alcaides que não possuem recursos e estruturas necessárias à manutenção de bons e suficientes canis e gatis.
Muitos animais de rua possuem donos, e perambulam livremente, com direito à refeição e pernoite em casa. São conhecidos na vizinhança, chamados pelo nome e latem quando algum desconhecido cruza o quarteirão.
Animais de raças bravias ou sensíveis, que necessitam de muitos cuidados, sofrem mais quando abandonados. Rústicos, os tais vira-latas adaptam-se com mais facilidade à selva urbana.
O socorro aos animais de rua costuma vir por intermédio de voluntários abnegados, que fundam abrigos, medicam, alimentam e buscam interessados em adoção. Tais abrigos são procurados até por desumanos que pretendem um lugar seguro para abandonar seus animais.
O voluntariado é um verdadeiro sacerdócio, e não é fácil mendigar apoios em meio a tanto desinteresse. Não são raros os exemplos de abrigos que asilaram mais animais que apoios, acabando por acusados de maltrato.
São muitas as pessoas insensíveis, que exercem a posse irresponsável de animais, gerando problemas a toda a sociedade. Em maior número, porém, são as pessoas que em nada contribuem, seja auxiliando voluntários ou exigindo medidas das autoridades.
Animais não constituem brinquedos ou objetos quaisquer, e geram laços afetivos e de mútua dependência com os humanos com quem convivem. Devemos temer as pessoas capazes de maltratar animais.

 
 
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