Moyses Moreira Lopes

Moyses Moreira Lopes

Alguém já viu Deus?

terça-feira, 23 de outubro de 2018 por Moyses Moreira Lopes

Eu tenho um neto que já nasceu filósofo. Ele mora em São José dos Campos e o seu nome é João Vitor e tem dez anos. Ele esteve aqui em Itapetininga no mês de julho. Um dia, logo cedo, quando eu estava na capela, ele chegou e perguntou:
- Vô, alguém já viu Deus?
Diante de sua pergunta filosófica, tive que responder imediatamente, sem titubear, deixando de lado as provas de São Tomás e respondi:
-Não. Depois, dando continuação, tendo como base os conhecimentos que tenho da Bíblia, disse: - Deus é espírito. Há muitas coisas que não vemos, todavia não duvidamos de sua existência.
João Vitor, que é muito educado, ficou quietinho, em pé, diante de mim, ouvindo, com os olhos sem piscar. Como ele estava prestando muita atenção, continuei. – Ninguém jamais viu o vento, porém acreditamos na sua existência, O homem tem a capacidade de medir a sua velocidade, mas ninguém jamais o viu. Há um aparelho, chamado anemômetro, criado pelo homem, que tem a capacidade de medir a velocidade e a força do vento, porém ninguém jamais o viu. O vento é como o espírito ou a nossa alma. Ninguém pode ver. Notamos a sua existência, mas quem pode ver o espírito?
O meu neto estava quietinho me ouvindo. Parecia uma pequena estátua diante de mim e como demonstrava interesse, citei mais uma coisa que não se vê e ninguém duvida de sua existência.
- A eletricidade, João, é uma coisa que não se vê. É uma forma de energia e repulsão de partículas e que pode ser aproveitada de diversas maneiras.
Enquanto eu falava, piquei um pedaço de papel em pequenas partículas e passei por várias vezes o meu pente, nos poucos cabelos que tenho e, para sua admiração, consegui atraí-los. Disse, depois, eis aí, João, o poder da eletricidade. Uma corrente elétrica produz um efeito físico e os mais interessantes e populares, são os caloríficos e luminosos. O fogão elétrico, o ferro elétrico, a estufa e o forno são aplicações práticas do efeito calorífico da eletricidade, de uma corrente elétrica devido a resistência de seus condutores.
Não sei se ele entendeu o meu linguajar, porém ficou parado e completamente estático diante de mim. Piscava, algumas vezes, mas não saía do lugar. Mais uma vez eu disse: - Quem, no entanto, jamais viu a eletricidade? Sentimos o seu efeito e utilizamos para o nosso conforto, todavia ninguém pode ver a eletricidade. Deus é espírito, como a nossa alma e não podemos vê-lo, mas sentimos a sua presença e o seu poder. Por fim, eu perguntei:
- Entendeu? João. Ele respondeu:
- Entendi. E saiu correndo, dizendo obrigado.

 
 
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