Moyses Moreira Lopes

Moyses Moreira Lopes

Alguém já viu Deus?

domingo, 16 de junho de 2019 por Moyses Moreira Lopes

Eu tenho um neto que já nasceu filósofo. Ele mora em São José dos Campos e o seu nome é João Vitor e tem dez anos. Ele esteve aqui em Itapetininga no mês de julho. Um dia, logo cedo, quando eu estava na capela, ele chegou e perguntou:
- Vô, alguém já viu Deus?
Diante de sua pergunta filosófica, tive que responder imediatamente, sem titubear, deixando de lado as provas de São Tomás e respondi:
-Não. Depois, dando continuação, tendo como base os conhecimentos que tenho da Bíblia, disse: - Deus é espírito. Há muitas coisas que não vemos, todavia não duvidamos de sua existência.
João Vitor, que é muito educado, ficou quietinho, em pé, diante de mim, ouvindo, com os olhos sem piscar. Como ele estava prestando muita atenção, continuei. – Ninguém jamais viu o vento, porém acreditamos na sua existência, O homem tem a capacidade de medir a sua velocidade, mas ninguém jamais o viu. Há um aparelho, chamado anemômetro, criado pelo homem, que tem a capacidade de medir a velocidade e a força do vento, porém ninguém jamais o viu. O vento é como o espírito ou a nossa alma. Ninguém pode ver. Notamos a sua existência, mas quem pode ver o espírito?
O meu neto estava quietinho me ouvindo. Parecia uma pequena estátua diante de mim e como demonstrava interesse, citei mais uma coisa que não se vê e ninguém duvida de sua existência.
- A eletricidade, João, é uma coisa que não se vê. É uma forma de energia e repulsão de partículas e que pode ser aproveitada de diversas maneiras.
Enquanto eu falava, piquei um pedaço de papel em pequenas partículas e passei por várias vezes o meu pente, nos poucos cabelos que tenho e, para sua admiração, consegui atraí-los. Disse, depois, eis aí, João, o poder da eletricidade. Uma corrente elétrica produz um efeito físico e os mais interessantes e populares, são os caloríficos e luminosos. O fogão elétrico, o ferro elétrico, a estufa e o forno são aplicações práticas do efeito calorífico da eletricidade, de uma corrente elétrica devido a resistência de seus condutores.
Não sei se ele entendeu o meu linguajar, porém ficou parado e completamente estático diante de mim. Piscava, algumas vezes, mas não saía do lugar. Mais uma vez eu disse: - Quem, no entanto, jamais viu a eletricidade? Sentimos o seu efeito e utilizamos para o nosso conforto, todavia ninguém pode ver a eletricidade. Deus é espírito, como a nossa alma e não podemos vê-lo, mas sentimos a sua presença e o seu poder. Por fim, eu perguntei:
- Entendeu? João. Ele respondeu:
- Entendi. E saiu correndo, dizendo obrigado.