Moyses Moreira Lopes

Moyses Moreira Lopes

Usei um Palavrão

domingo, 17 de fevereiro de 2019 por Moyses Moreira Lopes

Confesso, caro leitor, que já usei um palavrão. Estava na escola, ensinando o que é sílaba, discorrendo sobre a tonicidade das palavras. Afirmei que “sílaba é um fonema ou um grupo de fonemas emitidos num só impulso da voz.” Classifiquei algumas palavras quanto ao número de sílabas e depois falei da divisão silábica, afirmando que cada sílaba possui um fonema que recebe o nome de vogal. Falei, pronunciando uma palavra, que “vogais são fonemas sonoros, ou sons laríngeos, que chegam livremente ao exterior sem fazer ruído” e pronunciei o vocábulo in-de-pen-den-te-men-te. Contei as sílabas, exemplificando. Foi um palavrão que usei.
O Brasil é um país cristão, mas, às vezes, eu tenho dificuldade para afirmar com todas as letras da última flor do Lácio, como diria o poeta parnasiano Olavo Bilac, que a Terra de Vera Cruz ou Pindorama, como chamavam meus antepassados, é um país que esposa os ensinamentos do Redentor dos escolhidos de Deus. Creio que o leitor sabe quem é esse Redentor que estou me referindo. O Catecismo de Westminster, adotado pelos presbiterianos e outros reformados indaga e responde: “Quem é o Redentor dos escolhidos de Deus?” “-O único Redentor dos escolhidos de Deus é o Senhor Jesus Cristo que, sendo o Eterno Filho de Deus, se fez homem e assim foi e continua a ser Deus e homem em duas naturezas distintas e uma só pessoa para sempre.”
Os teólogos reformados, reunidos na Abadia de Westminster, depois provam, citando uma série de versículos bíblicos. Jesus disse que o cristão é o sal da terra, portanto deve temperá-la, evitando a putrefação, a corrupção, perversão e suborno. Paulo, o apóstolo de Cristo Jesus por vontade de Deus e expositor dos ensinos de Cristo, disse: “Não saia de vossa boca nenhuma palavra torpe.” Disse ele para os discípulos de Jesus da cidade de Éfeso e que eram fieis em Cristo Jesus. Para os cristãos de Colossos, cidade grega, disse a mesma verdade, nestes termos: “Agora, porém, despojai-vos, igualmente de tudo isto: ira, indignação, maldade, maledicência, linguagem obscena do vosso falar.”
Os vocábulos chulos já se tornaram de uso comum no linguajar do povo que se diz cristão e que se vangloria de pertencer a tal e tal comunidade. Alguns até afirmam que são felizes por pertencerem a uma igreja cristã, cujo nome não a cito, pois não creio que tal comunidade mereça tal membro ou fiel.
O terceiro rei de Israel disse: “Palavras agradáveis são como favos de mel: doces para a alma e medicina para o corpo.” Disse ainda: “Como maçãs de ouro em salvas de prata, assim é a palavra dita no seu tempo.”
Jesus, antes de partir para o Pai, disse: “Eis que estarei convosco todos os dias até a consumação dos séculos.” Você tem coragem de usar palavras de baixo calão perto de seu Redentor, que é seu companheiro de todas as horas?