Moyses Moreira Lopes

Moyses Moreira Lopes

As Eleições

sexta-feira, 14 de dezembro de 2018 por Moyses Moreira Lopes

Estamos nos aproximando das eleições. Está chegando a hora dos candidatos apelarem para a Teologia cristã, demonstrando ser devotos ou esposadores dos ensinos do Mestre. Citam-no nos discursos, palestras e encontros. A piedade está no rosto e nas mãos. No rosto, a santidade, e nas quatro mãos as obras caritativas, pois duas são suas e as outras duas, do gato.
As citações, às vezes, estão certas, embora fora do contexto, porém outras erradas, causando risos. Não faz tempo, um político disse que Tiradentes foi crucificado. Alias a República exaltou tanto a vida do alferes Joaquim José da Silva Xavier, que fez do seu retrato uma cópia fidedigna do Cristo, pintura do Giotto. Um outro, de um partido contrário, mas oriundo do mesmo cadinho, usou as palavras do apóstolo Paulo: “Combati o bom combate, acabei a carreira e guardei a fé.” Teve um que teve a ousadia de usar as palavras de Cristo, dizendo: “Eu fui eleito para servir e não ser servido.” Mat. 20:28) A justiça mostrou que ele se locupletou com os subornos.
Um político, vendo que os seus argumentos eram desfavoráveis para si, demonstrou conhecimento dos ensinos de Jesus. Eis o que ele fez no limiar de sua derrota. Ele agiu como o mordomo infiel da parábola de Cristo. Quem devia cem medidas de azeite, ele escreveu, na caderneta, cinquenta. Quem devia cem alqueires de trigo, ele mandou registrar oitenta. Jesus afirma que o senhor daquele mordomo infiel o louvou por haver procedido prudentemente, asseverando que os filhos deste mundo são mais prudentes na sua geração do que os filhos da luz. (Lucas 16)
Como seria bom se as autoridades usassem a Palavra de Deus no sentido verdadeiro e não no sentido alheio. Como seria bom para a Pátria se eles aprendessem que o suborno é crime contra Deus e contra os homens e que a Bíblia exorta: “Não receberás suborno, porque o suborno, que é o presente, cega aos que tem vista e perverte as palavras dos justos.” (Êxodo 23:8) Diz ainda o Onipotente: “Não torcerás o juízo, não farás acepção de pessoas, nem tomarás peitas; porque a peita cega os olhos dos sábios e perverte as palavras dos justos.” (Deuteronômio 16:9) A palavra “peita”, de acordo com o Aurélio, é uma gratificação em dinheiro ou presente dado como suborno. Os homens públicos gostam de ganhar presentes. O Brasil é rico.
Roboão, filho do rei Salomão, quando assumiu o poder, aumentou os impostos, os tributos e ainda disse aos seus súditos: “Assim que, se meu pai vos castigou com açoites, porém eu vos castigarei com escorpiões.” Diz o texto sagrado que o rei não deu ouvidos ao povo, aos velhos experientes, mas aos jovens sem compromisso e, por causa disso, teve o seu reino dividido, surgindo daí os reinos de Judá e o de Israel. O de Judá ficou sob a custódia de Roboão, com apenas duas tribos, e a de Israel com dez tribos, sob a autoridade de Jeroboão.
Cremos que o povo saberá eleger os que usam a Palavra de Deus no sentido próprio e não alheio.

 
 
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