Benedito Madaleno Mendes

Desceu à Terra 1954... Diversas premiações em concursos de poesia, residiu em São Paulo por 20 anos. Da Voçoroca do Sul, observa a Via Láctea e conta suas observações do cotidiano.

Que frio!

terça-feira, 11 de dezembro de 2018 por Benedito Madaleno Mendes

Acordo... E, como faço todo dia, tento sentar-me na cama...Tento, mas, não consigo mover-me... O frio segura meus movimentos... Minhas pernas estão geladas, os braços... Que frio!
Com muito esforço, sento-me na cama, pretendo ir à cozinha e pegar um café... Mas o café está gelado! Acho estranho porque minha garrafa térmica é nova, isto nunca aconteceu! Desisto do cafezinho e sento-me ao computador... Quero digitar minha senha, mas meus dedos não me obedecem, estão duros, sem vida, frios, como se houvessem adormecidos numa geladeira! E agora, não sou mais dono de meus dedos?
Desisto de usar o computador, quero pegar um livro na estante, então percebo que as paginas estão grudadas, congeladas... Guardo o livro no lugar e volto pra cama... Fazer o quê? Enfio-me debaixo de três cobertores, talvez, com o passar das horas, a temperatura melhore... Fico encolhido no leito, rezando para que o Sol apareça...
Mas o astro-rei parece estar com preguiça: a manhã está escura, com jeito de chuva... O tempo demora para passar e o Sol não vem...Talvez, o astro-rei esteja cansado de iluminar o Homo sapiens ... Tomara que ele não resolva de repente mudar de lugar no Cosmo e ir brilhar noutras bandas... Aí, imaginem só a geleira que vai ser!
E as horas passam, passam, frias, frias, frias... E o danado do Sol não aparece! E agora, minha gente, fazer o quê? Já sei, vou me enfiar debaixo dos cobertores e esperar pacificamente... E enquanto isso, sem querer pensarei, no Sol...
Tomara que ele continue onde está, quentinho, quentinho! E dê uma olhadinha na minha janela...
Mas que não demore...

 
 
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