Benedito Madaleno Mendes

Desceu à Terra 1954... Diversas premiações em concursos de poesia, residiu em São Paulo por 20 anos. Da Voçoroca do Sul, observa a Via Láctea e conta suas observações do cotidiano.

Buraco sem fim

terça-feira, 11 de dezembro de 2018 por Benedito Madaleno Mendes

Era à tarde... Vesti-me e desci até a padaria da esquina para comprar pães... O céu estava escuro, mas eu julgava que a chuva viesse à noite... Entrei na padaria, pedi quatro pães passei no caixa e ia saindo, mas, na porta, sou obrigado a esperar, a chuva caía e com vontade!
Ainda bem que eu levei meu guarda-chuva, senão... Dentro em pouco, o aguaceiro diminuiu, virou um chuvisco... Armei meu guarda-chuva e caminhei... Pisei na enxurrada porque não havia outro jeito e fui subindo minha rua de volta para casa com meus sapatos encharcados, mas, não tem problema, “lá em casa eu boto meu chinelo!” ,pensei...
Eu tinha que atravessar uma rua com uma enxurrada que a cobria inteira e não havia outro lugar para passar... Aproximei-me do meio-fio e saltei... Ai de mim! Sem querer, caí em um buraco que a água da chuva escondia! Senti meu pé direito afundar-se, afundar-se... No meio do perereco, pensei que teria chegado o meu fim, a sensação de queda ofuscava meus sentidos, só me lembro que faltava chão e eu afundava, afundava...
Busquei amparar-me em alguma coisa, mas não havia nada onde eu pudesse me segurar... Numa mão eu segurava meu guarda-chuva e na outra, o pacote de pãezinhos... Caí de joelhos na água que escorria, num buraco que parecia não ter fim...
Mas consegui levantar-me... Percebi que meu guarda-chuva estava torto e quebrado...Mas subi a rua assim mesmo até em casa; a calça toda molhada e sentindo frio, frio...
Desta vez eu senti na pele o que é morar numa cidade cheia de buracos!Pensei até que iria direto da enxurrada para o Céu!

 
 
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