Benedito Madaleno Mendes

Desceu à Terra 1954... Diversas premiações em concursos de poesia, residiu em São Paulo por 20 anos. Da Voçoroca do Sul, observa a Via Láctea e conta suas observações do cotidiano.

Chuva

segunda-feira, 10 de dezembro de 2018 por Benedito Madaleno Mendes

Dia 11 fui a São Paulo... Gente do céu, que frio! Houve dias que quase não saí de casa o dia todo... Fiquei debaixo do cobertor, torcendo para não congelar... Sentia um gelo nos ossos, nos cabelos, na alma... Parecia que o mundo iria se acabar e que o Sol havia ido embora para sempre... Eu nem precisei molhar minhas roseiras, elas já estavam sempre úmidas...
O dia amanhecia escuro como se a noite não se contentasse com seu tempo e quisesse ficar mais um pouco sobre a Terra... Estava sempre tão escuro, tão escuro... E, de repente, a chuva despencava molhando tudo! Houve dias que choveu o dia inteiro... Credo!
Dia 20 arrumei as malas e vim embora... “Lá na minha terra santa não deve estar chovendo tanto assim...”, pensei comigo. Tomei o ônibus e vim pensando: “chuva é coisa linda, um presente do Divino-Santo-Pai, mas, tudo tem limite, né!”
Cheguei à cidade e percebi que o céu estava carregado, mas nada que mostrasse uma chuva tão logo... E desci até a minha casa... Nem bem cheguei em casa, preparava um café quando ouvi seus dedos tamborilando no meu telhado e logo, logo ela vem molhando tudo...
Dormi ouvindo minha amiga descer do céu... Então pensei: do jeito que a coisa vai, vou acabar chegando à conclusão que essa danada gosta de mim... Assim não dá, parece que ela me persegue, quando eu estava em São Paulo, chovia e, agora, que estou aqui, chove!
Só faltava essa: a chuva me persegue! Correr pra onde?

 
 
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