Benedito Madaleno Mendes

Desceu à Terra 1954... Diversas premiações em concursos de poesia, residiu em São Paulo por 20 anos. Da Voçoroca do Sul, observa a Via Láctea e conta suas observações do cotidiano.

Pedaladas

sábado, 20 de outubro de 2018 por Benedito Madaleno Mendes

Pedaladas! Aonde eu vou escuto alguém pronunciar esta palavra! Na rua, distraído, de repente, um conhecido brada a alguém: “a culpa foi a pedalada”! No shopping, uma grã-fina reclama para a vendedora: “é minha filha, estamos pagando o pato pelas pedaladas, não é não?”. Estou num bar e repentinamente adentra um conhecido pau d’água e, da porta, ele já determina: “um trago caprichado, mas sem pedalada, por favor!
Chego em casa, ligo a TV e está lá nosso Senado Federal discutindo o impeachment da Presidente da República e a palavra mas pronunciada por todos os senhores e senhoras senadores é a veneranda palavra pedalada! Credo!
De tanto ouvir falar sobre essa expressão pe-da-la-da, entendi muito bem o que aconteceu, lá nas cafundas de Brasília, mas nossos jurisconsultos batizaram o “esperneio contábil” de nossa presidente apenas de “pedaladas”!
Mas as consequências desse esperneio presidencial foram tão longe, tão longe, que a presidente corre o risco de sair do Palácio do Planalto, pedalando sozinha na chuva, na rua da amargura e sem as regalias de uma chefe de Estado. E agora, excelência?
Quando a vi, há muito tempo, subindo a rampa do Palácio do Planalto, com suas pernas tortas, sem graça alguma, mas muito distinta, disse à minha companheira: agora temos uma presidente da República mulher! Vai tomar conta da casa direitinho! Mas...
Ser mandada embora porque deu “padaladas”! Que azar, não!
Estranho destino o dessa senhora: começou como guerrilheira, virou Presidente da República do país mal-assombrado e depois de velha, virou pedaleira!
Como a vida dá voltas!

 
 
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