Benedito Madaleno Mendes

Desceu à Terra 1954... Diversas premiações em concursos de poesia, residiu em São Paulo por 20 anos. Da Voçoroca do Sul, observa a Via Láctea e conta suas observações do cotidiano.

MP

terça-feira, 11 de dezembro de 2018 por Benedito Madaleno Mendes

Muito corajudo o Ministério Público daquele país de faz-de-conta, corajudo mesmo! O chefe da equipe amanheceu disposto, arregaçou as mangas, sentou-se diante de sua Olivetti e tascou uma ordem: “prendam o diabo”!
Mas como, disseram alguns colegas... “Não interessa, prendam e pronto! Respondeu o chefão”!
Tudo bem, chefe, mas dizem que o baita é poderoso uma barbaridade e, além do mais, o fulano tem vários nomes: Diogo, anhangá, arrenegado, azucrim, beiçudo, belzebu, bicho-preto, dialho, mofento, sapucaio, serpente e mais uma montoeira de palavrões...“Não tem importância, prendam o mais feio, uai! Quero ver o bicho atrás das grades! E chamem os jornais, a TV e todos os correspondentes estrangeiros! Quero ser notícia internacional...”
Outra coisa, chefe, dizem que o estropício é feio uma barbaridade, tem pés de cabra, uma orelha enorme, é chifrudo, linguarudo, anda armado com um tridente e desde o começo dos dias, inferniza o povaréu... E além do mais, o encardido não toma banho e credo-em-cruz, cheira a enxofre!
“Não interessa, desde o começo do mundo esse enfadado só apronta, já começou expulsando Adão e Eva do Paraíso! Coitadinhos, ficaram na sarjeta... Pois agora ela vai ver o que é bom pra tosse... Vão lá e deem voz de prisão ao enfadado e, se ele não quiser vir, tragam-no arrastado pelos chifres”!
Mas chefe, dizem que o sujeito tem uma legião pra defendê-lo!
Então prenda legião inteira... Quero ver quem é que pode mais!
Quero o diabo aqui agora!
Tá bom, chefe, tá bom! E foi prender o diabo
Nunca mais voltou!

 
 
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