Alberto Isaac

Alberto Isaac é jornalista professor e comerciante. Durante quarenta e cinco anos foi o correspondente do jornal “O Estado de São Paulo” em nossa região.

Os gigantes da comunicação em litígio violento

domingo, 16 de junho de 2019 por Alberto Isaac
Foi então que um locutor da emissora de rádio e o proprietário do jornal, quase centenário, se digladiaram através de ferozes e raivosos comentários Foi então que um locutor da emissora de rádio e o proprietário do jornal, quase centenário, se digladiaram através de ferozes e raivosos comentários

As mudanças tecnológicas têm sido muito rápidas, os meios de comunicação são os que mais se transformaram nas últimas décadas. Há vinte anos, as redes sociais eram quase parte de filmes de ficção científica, a televisão imperava absoluta, disputando com os periódicos impressos de notícias e as já velhas e sofridas rádios. Se voltarmos um pouco mais no tempo, há seis ou sete décadas, a contenda era entre as poderosas rádios e os valentes jornais.
Foi no final da década de 1940, uma época de grande agitação mundial e uma Itapetininga que estava se notabilizando através da já mitológica Escola Peixoto Gomide, que se deu a comentada discussão entre os dois mais poderosos órgãos de comunicação locais daquele tempo.
E esses conhecidos e respeitáveis veículos, imprensa escrita e emissora de rádio foram os canais que levaram aos habitantes a grande luta ocorrida em ter ambos. Tanto o jornal como a emissora de rádio foram objeto do intenso “frenesi” com as reportagens e acusações entre os dois: uma briga de gigantes como se comentava na época.
Não havia comparação, é claro, mas é bom lembrar, quando naquela quadra do tempo, o famoso ator, diretor e escritor Orson Welles, através do rádio, anunciou a invasão de extraterrestres nos Estados Unidos, criando um pavor imenso dentro do território dos EUA.
O “nosso embate” era travado entre os poderosos B. e G. (omissão dos nomes para evitar constrangimentos entre os descendentes dos personagens que estiveram em ação no episódio). Os proprietários dos dois veículos de comunicação eram inimigos confessos e tinham posições políticas divergentes. Foi então que um locutor da emissora de rádio e o proprietário do jornal, quase centenário, se digladiaram através de ferozes e raivosos comentários em seus respectivos órgãos. Um rebatendo, investindo odiosamente contra as denuncias do outro. “Fala fina” - atacava o proprietário do jornal ao se referir ao dono da emissora. “Rato Branco” rebatia com acentuada aversão ao dono do jornal, o radialista. Termos como ladrão, larápio, porco e outras conotações indevidas eram lançados no “ar” e impressos no jornal pelos contendores. Nas edições do Jornal do Meio Dia, em nossa rádio, o locutor exclamava, atacando o domo do jornal impresso: “Sentenciado da Maria Zélia (cadeia de São Paulo) e mau pagador!
A população acompanhava com muito interesse a grande batalha, chegando às raias da barbárie formando inclusive discussões intermináveis entre número imenso da população.
O responsável pelo jornal, homem de comprovada capacidade, mantinha uma coluna semanal denominada “O assunto do Dia”. Tratava-se de artigos denunciando, com fundamentos, crimes, roubos, corrupção às administrações da municipalidade.
E a rádio, em seu “Jornal do Meio Dia”, ou em edições extraordinárias divulgava acontecimentos ocorridos no município e região, abrangendo todos os assuntos de interesse geral. O locutor, responsável pelo programa 

falado, também professor, conhecido pela sua competência e personalidade “acima de qualquer suspeita”, era considerado um verdadeiro intelectual. Escritor, durante sua apresentação, costumava declamar poemas de sua autoria, e isto, com grande audiência.
O jornalista herdou de seu progenitor a honradez e a lisura da profissão, escrevendo sempre em defesa dos interesses do município e sua população.
Essa briga durou vários anos e seu ápice aconteceu quando o proprietário da Emissora de rádio contratou um profissional de renome na capital paulista para fazer um programa especial de ataque ao seu inimigo, o chamado Jornalista Caboclo. Ninguém ganhou essa parada, mas ficou na história das comunicações de nossa cidade.