Alberto Isaac

Alberto Isaac é jornalista professor e comerciante. Durante quarenta e cinco anos foi o correspondente do jornal “O Estado de São Paulo” em nossa região.

Vassoura, sempre eterna e necessária

segunda-feira, 10 de dezembro de 2018 por Alberto Isaac

Limpando a frente de sua casa, Luciana Matelli (a “xerife”), com a vassoura na mão espantou, não tão espalhafatosamente, três cachorros que reviravam afoitamente uma lata de lixo. Eram exatas sete horas de uma manhã primaveril e a cena se desenrolava na Vila Palmira, centro da cidade.
Luciana, em sua extrema simpatia, erguendo a vassoura , exclamou: “graças ao divino, temos esse instrumento para realizar limpeza total e defender até nossa integridade.
“Com certeza ela tem toda razão”, interveio o vizinho Milton Ginez que presenciava com surpresa todo o espetáculo. Lembrou-se momentaneamente da velha marchinha que serviu de propaganda eleitoral a Janio Quadros, candidato vitorioso à presidência da República, em 1961: “Varre , varre vassourinha, varre , varre a bandalheira..” e completou com outra marcha, esta carnavalesca, entoada pelo radialista itapetiningano Hélio Araújo, “Vassoura prá cá, vassoura prá lá, agora minha gente , todos têm de trabalhar...”
A vassoura tem sido até agora – talvez desde o início da civilização - ,o instrumento responsável pela sanidade de todos os locais onde a sociedade se organiza
Humildemente ela é colocada num canto da cozinha ou na área de serviços, mas pronta às ordens de quem necessitar dela. Diz a lenda que a vassoura serve também para apressar a ida de um visitante incomodo , quando colocada atrás da porta, de ponta para baixo. Ou, ao contrário, quando colocada na porta da cozinha de um estabelecimento comercial , atrai fregueses
Há várias espécies de vassouras , como as de nylon, as famosas vassouras de piaçaba e as de pelos naturais ou sintéticos . As mais famosas são as vassouras “de bruxas”, que é a primeira imagem que vem à mente quando se pensa em vassoura (Top of mind).
Recentemente, o prefeito eleito de São Paulo, em uma atitude demagógica, vestiu-se de gari (fashion) em plena avenida e com uma vassoura na mão, simulava limpar a cidade.
A vassoura, na verdade, constitui-se a ferramenta especial dos verdadeiros garis ou as margaridas , que simpáticos varredores de rua, que com graça e “donaire” limpam as vias públicas de maneira correta e ordeira. Lembramos o famoso Zé Guedes, o querido funcionário da prefeitura de Itapetininga, que enquanto varria , assoviava um samba , dançando com a vassoura. Não podemos esquecer também dos garis do Sambódromo do Rio de Janeiro.
Num dos países da África, após o casamento, os noivos pulam uma vassoura colocada no meio da rua, para dar sorte ao enlace.
Voltando à nossa vassoura inicial, lembramos que ela também serve como fator de muita conversa e “informações”. Geralmente , pela manhã, é costume as donas de casas vizinhas se reunirem nas calçadas, apoiadas pelas suas vassouras e colocarem as conversas em dia, comentando tudo que vivenciaram e até suas imaginações . Representa um forte laço de amizade entre esses moradores, sendo sua testemunha sempre ocular. Enfim, a vassouro é um bem necessário à humanidade, com suas mil utilidades .
Em tempo: Itapetininga só teve uma fábrica vassouras. Na década de 60, de propriedade do saudoso Flávio Soares Hungria, pai do Juiz Frank Célio e do comerciante João Soares Hungria

 
 
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