Alberto Isaac

Alberto Isaac é jornalista professor e comerciante. Durante quarenta e cinco anos foi o correspondente do jornal “O Estado de São Paulo” em nossa região.

Arquitetura da velha cadeia ainda é atração

sábado, 20 de outubro de 2018 por Alberto Isaac

Quando, em 1916, os presos que foram tranferidos da velha Cadeia, atualmente sediando o Centro Histórico de Itapetininga, no Largo dos Amores, talvez tivessem ficado extasiados diante do magestoso prédio que ornamentava a antiga Rua das Formigas, posteriormente Aristides Lobo e hoje Francisco Válio. Com dois pavimentos, em estilo clássico romano, construido pelo italiano Abrão Sacco com base em projeto de Ramos de Azevedo, o mesmo que projetou a Escola Peixoto Gomide e o Clube Venâncio Ayres, o prédio se constituia quase um orgulho dos moradores da cidade, tornando-se também atração turística. O local era considerado um pouco afastado do Centro, então “ideal para o presídio, não incomodando a população ordeira” segunda registra a história local.
Com o passar do tempo, o presídio foi se tornando indesejável, pois começava a se constituir em perigo constante, colocando a população em sobressalto diário. Mas, apesar disso, a convivência ia se arrastando pelos anos, principalmente porque, na parte superior, funcionava o Fórum e, na sala em mais evidência, realizavam-se os júri da Comarca.
Muitos ainda se lembram dos memoráveis embates travados entre promotoria e advogados da época, quando o inesquecível Jango Mendes (João Batista de Macedo Mendes) - uma espécie de Sobral Pinto – defendia seua clientes com paixão e competência, tudo dentro do prisma da justiça, absolvendo-os quase sempre. Lá atuaram com inteiro brilho Antonio Marrey, Reali Júnior, Freitas Nobre, Cid Franco, Rodolfo Miranda Leonel, Honorato de Itapeva e outros mais, como Rosa Baldini e Trancoso Peres.
Sempre com problemas em sua estrutura – iluminação, drenagem, insegurança do prédio – as fugas e rebeliões tornaram-se comuns, inclusive com tentativa de incêndios periódicos e destruição total do edificio obrigando autoridades locais a se movimentarem junto ao Governo Estadual, pedindo auxilio para os constantes problemas.
Assim, em quase todas as campanhas eleitorais, uma das prioridades de todos os candidatos repousava na construção imediata de uma nova Cadeia fora do perímetro urbado. A situação chegou a tal ponto que, determinada ocasião, os presos foram transferidos para presídio desta cidade, no Capão Alto, e também em toda região, mas tudo voltou como anteriormente.
Na primeira administração do prefeito Ricardo Barbará, este conseguiu em parceria com empresas itapetininganas reformar o prédio, insistindo sempre nas construção de uma nova Cadeia. Decorridos quase 85 anos, inaugurou-se finalmente em 5 de novembro de 2001- aniversário de Itapetininga, a nova Cadeia, com a então denominação de Centro de Ressocialização, onde os presos, passando por triagem recebem o nome de reeducandos. A antiga Cadeia, hoje Ciretran, no centro histórico da cidade continua ornamentando ainda a paisagem de Itapetininga, enquanto que o CR situa-se no bairro do Capão Alto, em área onde se encontram as penitenciárias estaduais.

 
 
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