Alberto Isaac

Alberto Isaac é jornalista professor e comerciante. Durante quarenta e cinco anos foi o correspondente do jornal “O Estado de São Paulo” em nossa região.

Elas iam e vinham

segunda-feira, 10 de dezembro de 2018 por Alberto Isaac

Como o verão, primavera, outono ou inverno, as quatro estações que sinalizam o ano chegam rapidamente e passam no mesmo espaço, nesta vida. São dias e noites que se sucedem através dos séculos, com modificações graduais em todas as fases da terra girando costumeiramente.
Novas tecnologias representam o que há de mais moderno, cada instante, no decorrer da existência e são adotadas por grande número de usuários, tornando a comunicação entre os seres humanos mais rápida e eficiente.
Fala-se, com amigos, parentes ou mesmo desconhecidos que residem a milhares de quilômetros, contemplando igualmente sua imagem na tela como se estivesse ao vivo, conversando normalmente. Que o diga o conhecido “Gaúcho”, o Osvaldo Vieira de Moraes, “expert” em internet e em todas as tecnologias novas que surgem periodicamente. Ele foi proprietário da famosa Livraria e Papelaria Itapetininga, na rua Campos Sales.
As comunicações hoje não se estendem como nas cartas tradicionais. Agora são praticamente bilhetes o que se troca algumas vezes, diariamente ou por semana, graças a agilidade da mídia atual que aproxima um dos outros a qualquer hora em tempo real.
Aqueles que não apreciam eletrônicos preferem o telefone, um meio de comunicação também muito rápido, apesar dos desencontros de praxe: às vezes ninguém atende, outras a ligação está muito ruim, a linha ocupada, aparelho desligado ou com defeito. Situação que irrita qualquer cristão, como diria o comerciante Cláudio Urel.
Mas, e agora, como ficaram então as tradicionais e apreciadas cartas? Tanto comerciais, como amorosas e fraternais? Algumas escritas como verdadeiros poemas?
Elas iam e vinham, através dos Correios, cujos carteiros entregavam aos respectivos destinatários, que as aguardavam com ansiedade e alegria.
Temos quase certeza que muitos, apesar de adeptos a tecnologia sentem falta das cartas de verdade, dos cartões de fim de ano, das fotografias em papel. Atualmente na caixa de correspondência, a maioria são contas - estas não envelopadas por força da lei-, ou material de propaganda de todo tipo. O relacionamento interpessoal há muito é teclado e lido nas telas, guardado não em gavetas ou baús, mas no arquivo virtual.
Sentimos sempre a falta de conhecer e reconhecer a letra do amigo ou de um desconhecido que nos escreve, retrato de sua personalidade. De admirar a ilustração dos selos, o formato dos carimbos, a cor e tamanho dos envelopes, o tipo do papel utilizado na mensagem, usando outros dois sentidos agora no ato de ler: o tato e o olfato.
Enfim, nostalgia à parte, enquanto houver carteiros haverá sobrevidas para os envelopes e seus fascinantes interiores. Lembrando a saudosa cantora paulista Isaurinha Garcia em sua expressiva melodia: “Quando o carteiro chegou, com uma carta na mão, e meu nome gritou, ante surpresa tão rude, não sei como pude... etc...”
Só nos resta, agora, lembrar com intensa saudade daqueles heróicos e bondosos carteiros, como Napoleão, Saraiva, Camargo e outros que proporcionaram grande felicidade e alegria à comunidade Itapetiningana.

 
 
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