Alberto Isaac

Alberto Isaac é jornalista professor e comerciante. Durante quarenta e cinco anos foi o correspondente do jornal “O Estado de São Paulo” em nossa região.

Na terra, resquícios do último cinema

sábado, 20 de outubro de 2018 por Alberto Isaac

Pode-se contar nos dedos aqueles que se lembram, mesmo vagamente, do que foram os cinemas de outrora que refulgiram no cenário comercial e artístico desta cidade.
Eram as atraentes casas que se abriam à noite, convocando os itapetininganos em geral a sonharem emocionalmente com as películas românticas, ternas e inesquecíveis, produzidas na longínqua Hollywood – recanto da doçura e beleza.
Constituíam, na época, o entretenimento da população de todos segmentos sociais, sendo que, sistematicamente as noites, já se ouviam, ao longe, o agudo tilintar das campanhas colocadas nos prédios dos cinemas. Elas anunciavam o início das sessões cinematográficas.
Nas ruas Venâncio Aires e Monsenhor Soares, os majestosos prédios do “Ideal” – depois Olana e Itapetininga e na fervilhante Campos Sales a atraente São Pedro, o primeiro de propriedade da família Samarco, o segundo, o pioneiro a instalar cinema na cidade, de Salvador Brizola, “Vadozinho”, e o terceiro sob a responsabilidade de outro membro da família Samarco – não confundir com os Samarcos de Mariana, do Estado de Minas Gerais.
Filmes épicos, românticos e comédias, além dos notáveis foroestes – foram exibidos nessas casas de espetáculos com grande aceitação e agrado geral da população, bem como as “matinês” realizadas aos domingos e feriados, com a presença de inquietas crianças, cuja vibração atingia o ápice do entusiasmo quando das apresentações dos filmes seriados – empolgando os expectadores infantis. “O barulho era tanto que repercutia em toda área onde se situavam os cinemas”, comenta hoje o advogado Waldomiro de Carvalho Filho (o conhecido Xuca).
Com o desenvolvimento da indústria cinematográfica, ” manter uma casa deste gênero em funcionamento”, proclamava-se, “era um grande e valioso negócio, fonte certa de rendimento garantido”.
Foi com este motivo que moradores então, da região oeste de Itapetininga decidiram reivindicar a construção de um prédio destinado a exibição de filmes de alta categoria. Pensavam apenas em proporcionar aos moradores daquela região um ponto de atração e divertimento a mais para os itapetininganos. Não pretendiam colher lucros do empreendimento, “apenas para valorizar mais a área e tornar-se outro centro comercial desta Atenas do Sul. ”
Seriam beneficiadas as vilas Maria, Jardim Itália, Vila Nova, além das grandes extensões do centro da cidade e adjacência e, para isso, auxiliaram para o sonho tornar-se realidade conceituados moradores como os Alciati, Irmãos Ferrari, famílias Fagnani, Jubran, Belarmino, família Borba, Peiretti, Matarazzo e outras. Através de eleições escolheram o nome de “Cine Aparecida do Sul” um belo, agradável e útil presente para Itapetininga inteira.
Com festas, inaugurou-se o belo cinema – teatro, com o filme “Estrada do Medo, na década de 1950, com repercussão nesta região sudoeste do Estado. Situava-se nas confluências das ruas Cel. Pedro Dias Batista e Rodolfo Miranda Leonel, construído por uma imobiliária da capital e nos moldes dos grandes cinemas da capital paulista.
Foram dez anos de pleno funcionamento, após surgir a televisão, internet e outras novas tecnologias digitais, houve a decadência dos cinemas na cidade. O prédio foi vendido a uma empresa de São Paulo, transformando-se numa das maiores firmas de confecções atacadista do Estado: a Magister. Funcionando por quase 30 anos, fechou as portas, encerrando um ciclo progressista no município.
O prédio, símbolo de uma era de avanço no setor industrial de Itapetininga, encontra-se, agora, em fase de demolição e segundo se comenta, “em toda sua área será ornamentada por um edifício moderno de várias torres e, Itapetininga dá adeus a dois empreendimentos: - digno de exaltação: o Cine Aparecida e a Magister Confecções.

 
 
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