Alberto Isaac

Alberto Isaac é jornalista professor e comerciante. Durante quarenta e cinco anos foi o correspondente do jornal “O Estado de São Paulo” em nossa região.

Poucos eram, e simpáticos, os judeus desta terra

sábado, 20 de outubro de 2018 por Alberto Isaac
Poucos israelitas se estabeleceram em Itapetininga, entre as décadas de 30 a 1950, assim vem a pergunta, quais e quantos foram os judeus da cidade Poucos israelitas se estabeleceram em Itapetininga, entre as décadas de 30 a 1950, assim vem a pergunta, quais e quantos foram os judeus da cidade

Quais e quantos foram os judeus que se estabeleceram em Itapetininga? Esta pergunta surgiu recentemente e a maioria não soube responder. Diminuto número de israelitas se estabeleceram em Itapetininga, entre as décadas de 30 a 1950.
Procedentes de Israel e que se instalaram no Brasil, optaram por fixar residência em cidades como S. Paulo, principalmente, Campinas Sorocaba, Ribeirão Preto, São José do Rio Preto, Presidente Prudente e em outros Estados Brasileiros, de maior densidade populacional. A propósito, lembra-se que em Rio Preto, a colônia israelita da cidade doou e mantém até hoje em boas condições, uma praça pública à prefeitura, num gesto de puro agradecimento ao povo que a acolheu.
Em Itapetininga pequeno número de famílias judaicas veio se radicar, enquanto a maioria decidiu estabelecer-se na capital paulista, integrando-se perfeitamente com a população paulistana. Instalaram-se, principalmente com comércio na rua José Paulino, Bom-Retiro, com lojas-varejo e atacado- de confecções de alto padrão e qualidade. Nesta época, até a década de 80, o conhecido Bereck Grajkar – falecido recentemente- filho de Moshe Grajkar, por vários anos residiu na capital, vendendo artigos para inverno, na rua Anhaia, próximo à estação Júlio Prestes.
Atualmente, pode-se dizer, com certeza, são poucos os descendentes de judeus na rua José Paulino que possuem comércio. A maioria deles abandonou o ramo, e os filhos e netos tomaram rumos diferentes, preferindo as áreas da medicina, magistério, empresas, comunicação, mídia, mercado financeiro, investimentos e outras. O mesmo fato ocorreu com a rua 25 de Março tradicional reduto da colônia árabe e seus descendentes, agora, estão voltados para o alto comércio de miudezas, tecidos, confecções etc.
Em Itapetininga o número reduzido de israelitas, teve como moradia a famosa rua Campos Sales. Foram os bravos e simpáticos Moshe Grajkar – especialista em recepcionar as altas autoridades civis, militares e eclesiásticas em sua loja – Benjamin Perloff – competente alfaiate, Isaac Ferman, com grande loja de miudezas por atacado, José Lerner, em frente ao Cine São Pedro, com a loja de confecções e miudezas, Shatane família transacionando com móveis de alto padrão, Marcos Steiman e família Segal, trabalhando com móveis novos e usados.
Todos se aculturaram com os habitantes de Itapetininga, contribuindo e colaborando com entidades filantrópicas e contribuindo com outras causas beneficentes como os filhos do saudoso Bereck Grajkar, residindo ainda na rua Campos Sales.
Entretanto, na capital paulista, muitos israelitas que lá residem – notadamente pais e filhos –estão migrando para seu país de origem. Conforme dados o número de judeus brasileiros que se mudaram para Israel aumentou em 100% nos últimos três anos por causa do agravamento da crise econômica. Foram 500 em 2015, o dobro do contingente de 2013. Hoje, a rua 25 de Março e José Paulino, foram tomadas literalmente por contingentes chineses, bolivianos, coreanos e outros imigrantes.

 
 
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