Alberto Isaac

Alberto Isaac é jornalista professor e comerciante. Durante quarenta e cinco anos foi o correspondente do jornal “O Estado de São Paulo” em nossa região.

Na quarta-feira o encontro da ararinha

domingo, 26 de maio de 2019 por Alberto Isaac
Atualmente essas ararinhas azuis são consideradas as mais raras do planeta, o contrabando é um dos prncipais fatores de ameaça da bela espécie Atualmente essas ararinhas azuis são consideradas as mais raras do planeta, o contrabando é um dos prncipais fatores de ameaça da bela espécie

Os jornais noticiaram e a poderosa TV-Tem mostrou a todos telespectadores da região a captura de uma ave rara, pousada no galho de uma árvore na Praça dos 3 Poderes.
Espetáculo empolgante, sensível e atraente quando populares (especialmente funcionários da Câmara Municipal) salvavam o resplendoroso pássaro e que contou, posteriormente, com a ajuda dos guardas municipais e dos bombeiros locais e aplausos da pequena multidão ali reunida, que assistia a nobre missão.
Ararinha azul cujo destino era desconhecido, integra uma espécie rara e quase em extinção e natural do folclórico Estado da Bahia. Quem muito conhecia a história da ararinha, com todos os pormenores, era nada mais nada menos que o saudoso e estimado agrônomo Ralf Soares Melges de Andrade, ornitólogo capacitado e amante incondicional das pequenas aves. Assim como ele, dedicava-se aos pássaros o geólogo Michel Aboarrage que se entregou com carinho, vários anos, no tratamento e cultivo de aves comuns ou exóticas, inclusive, estudioso do assunto. E sem falar também em Clóvis Soares, professor amante das aves em geral.
Atualmente essas ararinhas azuis são consideradas as mais raras do planeta, fazendo parte da família dos papagaios e periquitos. Foi identificado pela primeira vez em 1819, na região de Juazeiro, Bahia, em plena caatinga. Mede algo de 57 centímetros, sendo a cauda maior e as asas mais longas e estreitas.
A espécie ganhou notoriedade internacional com a aparição do filme “Rio” do cinema norte americano, exibido há pouco na sala do Shopping local.
O declínio da espécie é atribuído a uma série de fatores, sobretudo captura e contrabando, além da caça, degradação da caatinga, das matas e até a construção da barragem de Sobradinho. Tudo contribuiu para o total desaparecimento da ararinha. Segundo estimativas de técnicos em ambiente, ela custaria até 100 mil euros no mercado paralelo.
A população é catalogada atualmente em 92 ararinhas azuis no mundo todo, vivendo em cativeiro. A maioria fica em uma fazenda do xeque árabe Saud Bem Muahmmed, no Qatar, que morreu em novembro do ano passado. A fazenda foi visitada este ano por Ugo Vercílio, coordenador de espécies ameaçadas do Instituto Chico Mendes, órgão ligado ao Ministério do Meio Ambiente e responsável pelo programa Ararinha na Natureza.
Logo após a morte do xeque Muahmmed , o governo brasileiro se colocou à disposição da família para realizar o sonho do xeque de ver as ararinhas vivendo normalmente em seu habitat. O plano, agora, é aguardar algumas semanas e neste mês ainda (fevereiro) enviar representante a Qatar para articular a repatriação de algumas aves.
O que se pretende é trazer alguns exemplares da coleção deles para o Brasil com o intuito de termos mais animais por aqui afirma alto funcionário do Ministério do Meio Ambiente. Se atingindo a meta de reintrodução, a ararinha azul voltará à caatinga brasileira, depois de quase 40 anos. Apesar desse tempo fora de casa, ela ainda poderá valer-se de uma dica antiga, dada por Chico Buarque de Holanda, na canção “Passaredo”: Bico calado, muito cuidado, que o homem vem aí”. Enquanto isso, nossa ararinha, depois de resgatada da árvore, encontra-se sob a proteção da unidade da Polícia Ambiental desta cidade.