Alberto Isaac

Alberto Isaac é jornalista professor e comerciante. Durante quarenta e cinco anos foi o correspondente do jornal “O Estado de São Paulo” em nossa região.

Traços dos caminhantes na rovectude

domingo, 26 de maio de 2019 por Alberto Isaac

O cidadão em estado de inatividade, ou ainda apto para trabalhar, sentindo-se então à vontade, procura repousar a qualquer hora do dia ou da noite, em verdadeiro estado de graça.
A maioria corre em busca de distração, a fim de não perecer de imenso tédio. Associam-se a clubes ou entidades, onde vão encontrar campo para exercícios físicos ou mentais, com o propósito não só de movimentar o corpo, como usufruir do deleite e entretenimento.
Forma-se então a conhecida e festejada 3ª Idade, a Melhor idade. É quando os integrantes participam de excursões a preços convidativos, bailes em clubes até de cidades vizinhas, brincadeiras diversas, práticas esportivas, ou então jogos de cartas (sem envolvimento de dinheiro), realizados alternadamente nas residências de cada integrante do grupo. Tudo isso para estar em plena forma, distração do espírito e fortalecimento geral do corpo.
Tornaram-se comuns os almoços, ou reuniões com fins educativos, periodicamente e em datas especiais nas sedes de entidades similares, ocasião em que a alegria e a descontração fortalecem a amizade e a solidariedade entre os participantes, tornado-os irmamente familiares e mais amigos, como costuma dizer a professora Marta Ozi, presidente da associação Bem-Viver de Itapetininga.
Os “debutantes” da melhor idade começam a surgir na cidade devagar, devagarinho, como canta dolentemente o fabuloso sambista Martinho da Vila.
Vão se infiltrando em locais públicos, principalmente nas praças ajardinadas, ou então nas marginais do Chá e dos Cavalos, realizando longas caminhadas, trajando leves e apropriados para o ato, mas sempre atendendo a recomendações médicas. São inúmeros os frequentadores de teatros na capital paulistana. Há, igualmente, aqueles que não deixam de prestigiar, religiosamente, os espetáculos exibidos pelo SESI de Itapetininga, atenciosamente acolhidos pelo fidalgo cavalheiro Milton Cardoso, um dos mais entusiastas funcionários daquela entidade, sempre disposto a colaborar com quaisquer manifestações artísticas e culturais de Itapetininga.
A maioria dos que já cumpriram suas obrigações e deveres nos serviços que prestaram durante dezenas de anos, integram a faixa etária de 60 ou mais de 80 primaveras, demonstrando sempre alegria e felicidade sem igual, e agradecendo ao Criador pela existência.
Eles, no entanto, não se preocupam com a idade, porque veem à memória a celebrada e alentadora frase: “o homem que vive mais não é o que conta mais anos. O homem que vive mais é o que conta mais sonhos”. Embora um pouco tardio, saudemos todos juntos o “Dia dos Aposentados”, festejando neste último 23 de janeiro.