Alberto Isaac

Alberto Isaac é jornalista professor e comerciante. Durante quarenta e cinco anos foi o correspondente do jornal “O Estado de São Paulo” em nossa região.

Onde andará a nossa doce Anita?

domingo, 26 de maio de 2019 por Alberto Isaac
Em meados de 1960, a atriz Anita Elkeberg, tornou-a ícone do filme “A Doce Vida”, de Frederico Fellini, ao entrar na Fontana de Irea seminua - Reprodução/Internet Em meados de 1960, a atriz Anita Elkeberg, tornou-a ícone do filme “A Doce Vida”, de Frederico Fellini, ao entrar na Fontana de Irea seminua - Reprodução/Internet

Pode-se estar cometendo uma profunda e marcante heresia, mas em meados de 1960, Anita Elkeberg, que morreu neste 11 de janeiro, estrelou, com inteiro sucesso, o filme de Frederico Fellini em que numa determinada cena ela entra na Fontana de Irea. Fica seminua.
Essa sensual cena de Marcello Mastroianni e Anita Elkeberg na Fantana entrou para a história do cinema e para o imaginário coletivo do século 20. O gesto da exuberante Anita tornou-a ícone de “A Doce Vida”, imortalizada então naquela fonte.
Além dela, outras imagens emblemáticas surgiram dentro do cinema com muito erotismo. Marilyn Monroe quando o vento do metrô levanta sua saia e mostra a calçinha. “O Pecado Mora ao Lado”, rodado em 1955. No ano seguinte, a jovem Brigitte Bardot dançando na praia em “E Deus Criou a Mulher”. E em 1958, Elizabeth Taylor naquela combinação, como a mulher que arde de desejo pelo marido, no entanto Paul Newman não quer saber dela, em “Gata em Teto de Zinco Quente”. Todos os filmes exibidos nos cinemas Ideal, depois Olana e no São José, prestigiados por centenas de itapetininganos.
Seria pretensão de nossa parte discorrer sobre o filme, mas a atitude da grande artista sueca teve uma imitação perfeita de uma Anita, residente em Itapetininga entre os anos 40 e 50 ,que mergulhou, com vestido e tudo nas águas do saudoso repuxo do antigo Largo dos Amores. Considera-se, aquela ação, a primeira em que alguém nadou naquele que se transformaria em Fonte Luminosa.
A atitude de Anita talvez não tenha surpreendido aos milhares de jovens e senhores na praça, pois conheciam o espírito alegre e descontraído da “nossa Anita”.
Seus pais, aportaram na cidade e bem recebidos passam a residir na rua Monsenhor Soares, tendo como vizinhos a charutaria do português Antonio Souto, depois de Issa Bittar, o Bar 21 Estados, a Confeitaria Werner, o Boteco de seu Benedito e o Bar São Paulo, além da Eletrodomésticos de Osvaldo Piedade. Na dependência da residência do pai, polonês, instalou-se a oficina de consertos de calçados “finos”, conquistando então uma seleta freguesia, considerada a “alta sociedade itapetiningana”.
Estávamos no fervor da 2ª Guerra Mundial e o progenitor de Anita jamais opinava sobre conflito mundial, preferindo silenciar a respeito do assunto, visto que sua Pátria havia sido invadida pelos alemães. No entanto Anita, jovem, bela e loira, conduzia sua vida da melhor maneira possível e compatível com a cidade. Frequentou o famoso “Ginasinho” e terminou o magistério na Peixoto. Uma associada assídua do “Venâncio Ayres”, tornou-se ao lado de Maria de Souza e outras musas da época, como uma das grandes presenças nos magistrais bailes da entidade, não deixando também de participar do elenco de atrizes do grupo teatral formado por Ayres de Souza.
Atraente donzela, corpo escultural, praticava esportes, integrando equipes de basquete e vôlei dos educandários escolares e das seleções da cidade, disputando, inclusive, os torneios Bandeirantes e os realizados na região. Atuou ao lado de Vanda Araújo, Gersei de Oliveira, Maria Prestes Albuquerque, Dorcas Cardoso e também foi candidata ao título de Rainha dos Estudantes.
A fabulosa Anita Elkeberg, que se banhou na fonte em Roma, jamais imaginou que em Itapetininga, distante milhares de quilômetros de Roma, na região sul de São Paulo, existisse uma sua sósia perfeita em tudo: simpatia, beleza, popularidade e educação e que arrebatou os jovens corações daqueles distantes tempos. E, como diria o conhecido ex-vereador e grande político Humberto Pellegrini, caso estivesse entre nós: “Onde está você Anita, a grande pequena notável?”.